Pontos cegos

 
.   Fonte da imagem: Portal Prakaranga 

As FAKE NEWS vão muito além desse universo virtual. Elas, boa parte das vezes, estão no mundo real, no mundo da vida, no cotidiano, nas conversações aparentemente inofensivas e por aí vai todo um novelo ou novela sendo desenrolados numa trama que quase sempre não conseguimos compreender nitidamente. 

Eu sempre gosto de usar a metáfora de que as redes virtuais são uma câmara escura, cheia de pontos cegos.

E o que dizer do mundo real? A mesma coisa, oras!

Embora pareça real, há muitas circunstâncias que não vemos, para as quais não nos voltamos com um verdadeiro propósito investigativo e senso crítico. Escutamos meias verdades ou histórias editadas, mal contadas e já achamos que é o certo, que é a realidade última de algo ou alguém. Isto porque foi o que ouvimos, vimos, tateamos, sentimos, soubemos en passant, sem o mínimo interesse investigativo acerca dos fatos e dos fenômenos envolvidos.

Confiamos cegamente nas pessoas e não olhamos para a intencionalidade de cada ação, de cada discurso. Não existe discurso isento de ideologia, ingênuo, amigável... ipsis litteris.

Dizem que quem conta um conto, aumenta um ponto. Eu digo que aumenta sim, além disso, as reticências, os travessões e as exclamações,  sobremaneira!

É necessário estar muito ligado, muita ligada, para perceber certas circunstâncias... é preciso ouvir todos os lados de uma história, os personagens, a narrativa, o ambiente, o tempo, o espaço, o exato momento das ações humanas etc.

Mas nossa balança por vezes é tendenciosa demais para essa alquimia. 

"É preciso ver com o coração", já disse Saint-Exupéry (pode até parecer bobagem, mas não é!) e, complemento, é preciso enxergar com a intuição. Essa sim sempre foi e sempre será a nossa maior Verdade, uma bússola certeira, lanterna interna, que se conecta ao princípio da criação e das revelações a priori e a posteriori, dentro de um campo que une intuição e racionalidade. 

A capacidade de deliberar o que nos chega por meio dos a priori cinco sentidos do corpo - e filtrar, decantar, elaborar, cognitiva e intuitivamente, as realidades apontadas por outros, outras - é realmente uma dádiva. Busco isso em meu cotidiano. Embora ainda esteja nos primeiros passos do processo até alcançar o propósito. Em todo caso, sinto o direito de me posicionar nesse curto texto. (Pensei que seria curto 😅🤭, desculpem). 

Nossa existência (real ou virtual) está imersa nisso: nas falácias, no autoengano, no engano alheio, nas invejas individuais e coletivas, nas calúnias, nas mentiras, nas histórias mal/ditas (em duplo sentido mesmo), editadas, nos julgamentos, nos juízos de valor, e nós, que parecemos viver uma experiência humana, somos desumanizados dentro desse processo por duas coisas muito simples que nos faltam a todos e a todas: 1. a capacidade de bem julgar os demais; 2. a urgência em adquirir sabedoria durante o processo vital. 

Ah... a sabedoria! Essa sim é uma joia raríssima alcançada por tão poucas pessoas. Talvez as mais simples e humildes tenham sido agraciadas com esta bênção de Deus. São felizes! Há pessoas que de tão humildes são preciosas demais que dá vontade de colocá-las num porta-joias e levá-las sempre do lado esquerdo do peito, sem medo de que, em um momento ou outro, elas venham nos ferir, nos magoar, nos entristecer, mentir, desumanizar, pois são vasos muito bem elaborados na olaria do Criador de todas as coisas do Universo. 

É preciso ter um olhar muito acurado para ver o mundo da vida, para ver nosso próximo, para olhar suas lutas, suas dores, suas superações, para ouvir a verdade que muitas vezes só alcançamos dentro de um quarto escuro, no silêncio, na solitude, com os olhos devidamente fechados, quem sabe até com os joelhos fletidos, vertidos.

Nesse momento somos tocados pela essência das coisas e dos seres e não há nada nessa Terra mais elevado que um encontro consigo mesmo, consigo mesma. Eis a Verdade bem na nossa frente! Por dentro e por fora, transparente, lúcida, plena, real. 

Precisamos nos movimentar no mundo com muita boa vontade e com um olhar para as alteridades. Isso não é falsa moral.

É sobretudo, repito, sabedoria! 

Sem esta, de nada adianta avançar, tateando uma máscara que, como já escreveu Pessoa, ficou "pegada à cara", sem o devido autoconhecimento, sem um mínimo de desenvolvimento espiritual, capaz de nos (e)levar a caminhos alcançados por bem poucos nesse planeta. 

As fake news elaboradas por outros ou por nós mesmos/as - por nossas trapaças internas, por nossa consciência tantas vezes tumultuada, congestionada, acelerada - nesse momento perdem sua força maldita, seu interesse sorrateiro e aparentemente inofensivo. 

Aí sim, podemos, minimamente, ver a Verdade da vida. 

Acredito que pode ser assim...

Enfim!

Haveria ainda tantas coisas a dizer sobre isto...

Depois eu continuo...

Talvez...

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Boa noite, terça-feira! 🙌✨

Graças a Deus 🙏🔥

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Viviane Marques 

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