Estamos tóxicos ou somos mais um produto do capital?!
Depois da onda da "vida líquida", já tão macerada e ainda mais diluída por tantos de nós;
Do "tudo que é sólido desmancha no ar";
Do "inferno são os outros"... e por aí vai...
Chegamos então ao discurso da SOCIEDADE TÓXICA...
Tudo é tóxico agora!
Todas as pessoas foram enquadradas na narrativa do ser abusivo; do que deve ser banido, excluído das esferas ditas normais da sociedade; da lógica do mindset; da positividade zen; da euforia fabricada; das mentorias e mentiras dos cada vez mais milionários coaches de relacionamentos; dos corpos que se sustentam à base de suplementos, proteína e maromba para garantir um gozo fácil e superficial.
Sempre dentro dessa jogada discursiva de uma "toxicidade contagiante" e que, por isto mesmo, deve ser evitada a todo custo.
Queremos o outro, mas temos medo do estar junto. Ele/ela são bons, inteligentes, interessantes e tal, mas aí vem a pegada do alerta de toxicidade no ar... ihhh... que alguém já ouviu dizer numa mentoria ou numa masterclass, dividida em 10x no Mastercard.
Na linguagem cruel das mídias sociais, o outsider é tóxico, o amigo é tóxico, o que enfrenta problemas mentais é tóxico, o amor rapidamente vira lixo descartável tão logo farejamos qualquer sinal de contrariedade ou alguém mais interessante que atraia nossos instintos.
Outro dia ouvi uma colega dizer que ao invés da comunicação não-violenta (CNV), ela usa mesmo é a comunicação muito violenta (CMV). Eu fiquei pensando no quanto estamos nos posicionando na defensiva de um jogo em que todos querem ao mesmo tempo ganhar, mas só que na base da exclusão, da negação do outro, como espelho desses mesmos jogos simbólicos propagados aqui e acolá.
Sinceramente, acho que essa visão de mundo é que é efetivamente tóxica. Essa falta de empatia, ausência de afetos verdadeiros nas relações sociais atualmente, a superficialidade, o tal do cancelamento e outras tantas violências mil praticadas no nosso cotidiano têm sido o verdadeiro veneno desse tráfico (com "i" mesmo!) de informações nocivas e patológicas, tão amplamente naturalizadas na sociedade contemporânea.
Talvez haja nisso uma banalização moralizante do outro, de nós, do "mundo da vida" real e concreta, apesar de todos os esforços que aparentemente usamos para nos tornamos humanizados desde sempre.
Como se não bastasse, veio a própria pandemia para nos mostrar o quanto temos medo do outro, não apenas no sentido biológico, pior que isto, no plano antropológico de ser e estar junto, do compartilhar, do acolher, do cuidar, do saudar (num sentido de gerar saúde emocional), no abraço que deixamos passar por acreditar ser o Outro esse sujeito tóxico e viral demais para chegarmos junto, para estarmos perto.
E pra não ir mais longe nesse texto, quero dizer que eu estou no meio de tudo isso e sou isso também! Pratico tais mecanismos que automatizam nossas vidas todos os dias! E isto é a verdadeira droga em questão, porque não sou eu, nem tu, mas todo um sistema que estrutura essa rede de contágio velado.
Porém eu resolvi pensar sobre e tentar buscar um mínimo cuidado ao classificar pessoas, fatos e versões.
Ahhh é tanta coisa por baixo dessa ponte, mas tô cansada demais pra continuar com esse texto. É uma hora da manhã agora e preciso dormir pra regular os hormônios e neurotransmissores pra não inflamar o organismo e ficar mais tóxica ainda (pelo menos é o que dizem os especialistas!). 😂
Papo de especialista é tóxico demais! 😅😅
(vm, só um relato mesmo, sem revisão textual, pra não elevar meu cortisol).



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