Fake news
Eu realmente gostaria de voltar a escrever com mais frequência. Meio que como uma febre que nunca passa. Minha mente é um tanto acelerada e só se aquieta um pouco quando jogo pra escrita algumas tramas do meu delírio interior. Mas dizer qualquer coisa só seria reproduzir mais do mesmo. Minha ambição, confesso, é chegar a falar algo assim que jamais foi dito por alguém. Sim, eu sei, isso é impossível, pois só nesse parágrafo ainda não consegui sair do lugar comum.
Quero palavras inéditas, só minhas...
Mas há nos signos uma repetição inútil e vã...
Nada é exclusivo, profundamente meu. Tudo já foi dito absolutamente!
E nem o silêncio é capaz de ser único, irreprimível, porque até o que não digo me soa como um clichê barato, como uma mentira que já foi contada tantas vezes aqui ou ali.
Há tanto barulho no mundo. Informações que se repetem sem nexo ou originalidade.
Tudo é igual, mas com intenções muito bem programadas. Por que algo haveria de ter nexo? Buscar coerência na atualidade é o mesmo que uma pesquisa rápida no google do tipo "copia e cola".
Na verdade, o que eu quero nem existe mais nesse mundo. E nem sei se encontraria algum lugar onde não haja qualquer tipo de consciência tangível.
A vida me inspira enfado e vontade de parar por aqui.
O mundo se repete tantas vezes nas muitas voltas nulas que dou em torno de mim mesma.
Símbolos, índices, ícones são as principais moedas de troca que tantas vezes distribuímos cotidianamente nas ruas, nas casas, nas repartições, nas oficinas, nos coletivos, nas universidades, no trânsito, nas festas, nas redes sociais. E quantas vezes somos enquadrados nessa trama ideológica das persuasões nos discursos aparentemente inofensivos e eivados de bons modos?
Mas ahh... tudo já foi dito por algum teórico ridículo qualquer ou algum filósofo delirante que achou entender o mundo a partir de suas idiossincrasias banais, com ares de uma retórica bem montada.
E nesse momento eu me sinto um refugo também ao repetir tudo isso, quando no início desse texto eu afirmo perseguir o que ainda não foi dito por ninguém. No fim das contas isso é mesmo impossível e só serviu de argumento pra seguir com essas ideias enviesadas e tolas!
A linguagem é mesmo uma inválida sem direito à aposentadoria. E nos ancoramos tantas vezes em referentes que já conhecemos, porém a criatividade não se encontra em livros, muito menos no algoritmo esquálido dos digital influencers. Nossa! Como estamos todos tão perdidos dentro desse planeta de quinta que só impressiona quando às vezes nos afastamos de nós mesmos e nos damos conta de como tudo é terrivelmente vazio e fora de contexto.
Eu realmente queria parar por aqui, mas não aprendi como levantar o acampamento e chutar o pau da barraca. Ainda não aprendi como fazer isso. Pode parecer simples, tão rápido e indolor, mas na verdade não é!
E, sim, tudo isso é mais um clichê ridículo (eita, quantas vezes já repeti essa palavra aqui? Ah... deixa pra lá!) que não faz sentido algum ser publicado.
Mas eu publico só pra ter a certeza de que sou também mais uma droga de um fake a alimentar o rolo compressor das inúteis redes sociais virtuais. E me surpreenderia se alguém chegasse a ler esse texto sem que alguma imagem atraente ou propaganda ambiciosa levem embora sua atenção nos descaminhos dessa esteira virtual.
(Viviane Marques)
Fonte da imagem: Site Cronomídia



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