Eu?
Onde estou eu dentro de mim?
Em que ponto me defino como ser?
Se não tenho ou não me dou medidas
Quem sou eu então?
Seria um tipo de ângulo maldefinido
Um signo provisório da existência
Uma cicatriz das estrelas ou
Uma profunda expressão do nada
Que se disfarça em partes?
Sou a mira mútua dos meus pais
Um foco da máquina cósmica
Um passo incerto da natureza
Um engano de Deus?!
A carne que vem depois do verbo
Um predicativo que se forçou a ser
Sou um nome, um corpo, um conceito
Uma ilusão ante a fenda do tempo?
Sou somente, sou agora, não sou
Sou isso, sou aquilo, aqueloutro?
Uma consciência que já andou demais por aí,
Por aqui, por acolá?
Sou o direito ao cansaço
Um refúgio na mata
Um grito por dentro
E a morte numa ciranda?!
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(Viviane Marques, 22/12/2019)



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