ConVida

Texto escrito em quarentena, na luta coletiva contra a Covid-19) 

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A Natureza aqui ainda ConVida! Embora por ora não se possa avistar de perto remoto movimento. É possível contudo pressentir um pouco de cor e vontade nas janelas, nas sacadas, nas linhas tépidas e cinzas das grades das casas, dos prédios, dos condomínios fechados, das prisões, nas feridas abertas dos guetos marejados... 

A Natureza aqui ainda ConVida! Nesse silêncio, desperto a voz do meu Oceano. Nessa ausência, o mar tem muito de céu. Sem o engano de muitos, o Sol mostra a Verdade. Eh... as pessoas ainda não... a vida convidou agora os náufragos: bem sabem de si e pouco dos outros... 

A Natureza aqui ainda ConVida! Num lugar onde ainda se conservam as maravilhas de outrora. Que espero em breve sejam de novo parte de mim, que sejam os braços de todos nós reunidos numa ciranda, numa dança livre... de lençóis brancos estendidos sob a orquestra dos ventos. 

A Natureza aqui ainda ConVida! Como uma breve aurora igual àquela de um tempo que já não me lembro mais... que por ter sido tão bom não carece nem de memória... quando havia Amor naquele plácido início de noite, numa praia deserta na Páscoa de 1998... 

Ah... a Natureza aqui ainda ConVida! 

Vamos? 

Mas por enquanto fiquemos ainda mais um pouco em nossas Casas.

(Viviane Marques, 19/04/2020)

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