A mulher e o mar

 (Texto escrito em 17/04/2019)

Pensei muitas vezes antes de começar esse texto inútil. Em parte porque ando pouco inspirada, em parte porque minha mente está bastante cansada pra pensar em qualquer coisa. Mas resolvi escrever porque o fato ficou inundando minha consciência e lá vai alguma coisa de modo breve. 

​Estava eu no mar, fazendo um dos exercícios que sempre faço para driblar os males da depressão que tenho enfrentando. De repente olhei para o lado e vi uma mulher lentamente entrando no mar. Fechava os olhos, soltava os cabelos e tinha uma expressão de profunda paz. Confesso que senti uma certa inveja daquela mulher. Parecia tão bem, tão livre de qualquer tormento que pudesse incomodar seu banho. E eu lá com minhas agonias e perturbações cotidianas... fiquei a olhá-la. O seu aspecto jamais me abandonará! ​Quando eu morrer quero ter aquela expressão feliz, naquela medida, de modo que alguém olhará para mim com olhos de saudade, com aquela reação vaga e insegura da solidão de quem fica... ​

Mas a mulher era feliz.

Passou ainda um tempo no mar, brincando com as algas e as ondas. Se era triste – talvez fosse – naquele dia não dava para ver. 

​Não esqueço que continuei ao longe a olhá-la fixamente, com um certo medo de que me visse e perdesse a espontaneidade dos vivos. ​Saí do mar com uma vontade de ser aquela mulher, de saber o que é ser alegre novamente, de saber de saúde, paz, descanso, sossego, qualidades que estão por aí nesse mundo, mas que para mim são como as ondas que fui deixando pra trás naquele dia bonito.

(V.)

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